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About Literature / Hobbyist Dúvida PoéticaMale/Portugal Group :iconportugaliteratura: PortugaLiteratura
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Literature
Mantra-cola
Marte parte pela Morte
Que forte Norte, é sorte?
Pranto santo no recanto
Canto tanto sem encanto
-
Sumo neste fumo e durmo
Consumo o fumo póstumo
Sinto e minto, mas hirto!
Assinto o instinto distinto
-
Mantra-cola, cola mantras
Porque Saber é uma mentira
Ora venham umas ou outras
Nada é verdade, tudo caíra
-
Fedor a amor tão comprometedor
Senhor, que clamor de tanta dor
Pedido tão cândido, mas perdido
Esplêndido, mas incompreendido
-
Pede mas fede, e se despede
Tem sede mas cede e provede
Tem medo tão cedo d'um credo
Degredo, segredo...Bruxedo?
-
Avé!
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Literature
Cidade-Forte (0) - Prologo (rascunho)
(Atenção aos fanáticos da gramática! - revisão não realizada)
Nunca enjoarei este cheiro a carvão. Porque aqui mais fácil seria morrer do que enjoar desta brisa constante e negra que paira por todos os recantos. Mais fácil seria ficar cego do que fartar-me de ver estas paredes altas de ferro frio e baço que nos rodeiam e nos protegem. Mais fácil seria ficar surdo do que odiar os sons maquinais que se entranham ritmicamente até na mente mais ausente. Seria tão fácil...
Todos sabemos porque cá viemos parar, mas ninguém sabe porque por cá nos mantemos. Tudo isto começou há tanto tempo... Eu próprio nos meus tenros cinquentas sou dos mais novos daqueles a quem chamam a "4ª geração" e aos poucos nados-vivos que por cá decidem ficar já lhes chamam "6ª geração". São raros os sobreviventes que se chamam de "3ª geração" e que falam de um
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Literature
Paixao (ou falta dela)
Preciso de ter uma paixão para acordar
Pois este sono cada vez mais me cativa
Preciso de um pouco de luz para mudar
Esta busca circular que não me motiva
-
Fecho os olhos para dormir, é tudo igual
A minha vida virou breu, assim o escolhi
Só que não durmo e estou a passar mal
E a lembrar de tudo aquilo que não senti
-
Não me venham contar histórias de amor
Não é isso que busco, sinto-me indiferente
Procuro razão para o meu ser, o meu valor
Uma coisa que me faça andar para a frente
-
Mas não sinto vontade, nem paixão, nem vida
Nem quero recuperar aquela minha alma perdida
Que sonhou, mas nunca viu as cores latejantes
Dos que por ela passaram, eternos ignorantes...
-
Tenho medo de dormir, não vou voltar a acordar
Mas será que terei mais medo de estar acordado?
A insônia é uma bênção dolorosa de se suportar
Por aquele que nunca sabe se vai a algum lado
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Literature
Olhos
São livres os meus olhos tão baços
Que numa total cegueira veem tudo
Para a confiança, não tenho espaço
Para o amor, já não tenho conteúdo
-
Ando por ai às cegas, mas tudo vejo
Minhas costas sangram, rins latejam
Nem sei se caminho por algum desejo
Ou porque estas facadas não fecham
-
Sou eu quem sangro, por este teu tabu
Que quebra a única coisa que imponho
Sou visto como malfeitor, feito o Diabo
Pela liberdade que mereço, eu suponho
-
Sou eu quem sangro, pela tua liberdade
Nunca te prendi, mas também tenho asas
E quando traís a minha escassa felicidade
Lembra-te que nunca me segui por brisas
-
Sigo-me pelos olhos, o coração engana
O cego vê tanto mais que o apaixonado
Lembra-te que qualquer coração engana
Aquele destinado a ser um eterno finado
-
Olhos, quanto vos temo, quanto vos adoro
Trazem-me onde preciso e não onde quero
E sinto-me livre, mesmo neste vazio choro
Se agora j
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Literature
Indagacoes Poeticas II
Não há cruz que me dobre
Nem fosso que me apague
Só um desejo, quiçá nobre?
Que o castigo me estrague
Ainda mais? Eu nasci podre...
Nada mais tenho a estragar
Neste ser, pequeno e pobre
Sobre o qual estou a clamar
Mereço para lá de castigo mero
Mesmo sem ter pecado nenhum
Sou penado e tanto me esmero
Para nunca chegar a lado algum
Muito divago mas não minto
Apenas não sei o que sinto
E sei que a sentença é justa
Mas eu não tenho resposta!
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Literature
Medo Sacro
Depressa-me, esta pressão
Não saber o amanhã oculto
Sinto-me em dor e confusão
A tudo returco com insultos
-
Oiço nascer um gás nefasto
Das entranhas deste mundo
Campo do medo, é tão vasto
Vade retro, seu vagabundo!
-
Afasta-te de mim, eu não aguento!
Sebento e virulento, amargo alento
Mata-te sem mim, não quero saber!
Morrer ou temer, não quero escolher
-
A mim não dominas, só me repugnas
Cavalgas em terra pobre, moribundo
Por cemitérios partindo qualquer urna
Que se renda ao teu sonho infecundo
-
Paro, penso e ajo com total serenidade
Pois o futuro é cego, todos o sabemos
Para quê viver numa total ansiedade?
Se nós sabemos que todos morremos...
-
Tatuagens e diamantes não são eternos
Tudo isto efémero, até mesmo o medo
Por mais triste, nojentos ou enfermos
Tudo acalma mais tarde ou mais cedo
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:iconduvidapoetica:duvidapoetica 0 0
Literature
Duvida Poetica - Confusao Literaria
Não sei que hei-de escrever
Como dizer ou como exprimir
Só sei que algo está a mexer
Agora tenho medo de existir
-
Pus virulento cerca a mente
Implosão sebenta do meu ser
Toda a escrita é indiferente
Só o "Nada" consegue vencer
-
Máquinas de escrever e penas
Esferográficas ou computador
Já não encontro noites amenas
Só dor e fervor e tanto pudor
-
Papéis queimam almas perdidas
Ficheiros deletam a sapiência
Fico entre noites mal dormidas
E uma fonte de auto-paciência
-
Só o absurdo me pode salvar
De mim mesmo, bendito Dada
Porque tenho eu de acordar?
Por agora quero só ser nada
:iconduvidapoetica:duvidapoetica
:iconduvidapoetica:duvidapoetica 0 0
Literature
A Gema
A incongruência de um ser
É comum, eles assim dizem
Desarmonia, sinto tremer
Os alicerces que me regem
-
Êxtase na discórdia
É a gema da questão
Retrógrada mordomia
De um fraco coração
-
Que prazerosa perversão
Saber que nada se sabe
Tudo acaba em destruição
Nesta mente já nada cabe
-
E o caos vive em nós
E o caos vive em pós
Todo o caos somos nós
O caos não é para dós
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:iconduvidapoetica:duvidapoetica 0 0
Literature
I - O Mago
Alquimista de tudo e nada
Criador de pureza abstracta
Nesta sua busca desalmada
Só lhe falta a mente sensata
-
Quem tudo deseja, tudo perde
Ninguém atinge o infinito
E o que isto descobre tarde
Vai ao fundo, acaba desfeito
-
Mestre de tudo, mas de nada ser Senhor
É esta a penitência de um génio sonhador
:iconduvidapoetica:duvidapoetica
:iconduvidapoetica:duvidapoetica 1 0
Literature
Quero
Um dia quero poder voar
Sem ter asas nem aviões
Quero saltar sobre o mar
E dispersar as ilusões
-
Querer, um verbo tão forte
Desejo expresso e impresso
Mas não me sorri a Sorte
O Querer não traz sucesso
-
O tanto que desejo nada fará
Se ficar sentado nesta cadeira
E no momento final, o que será?
Que aguarda na última clareira
-
É o meu sonho? Ou um pesadelo?
Que me mata em gestos singelos
Lento e suave, acompanha a noite
Choro com alegria a cada açoite
-
Só sei que quero
Mas não consigo
É tudo um erro
Sou um perigo
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:iconduvidapoetica:duvidapoetica 1 0
Literature
0 - O Louco
Vagueia no mundo procurando
Mas sem nada conseguir encontrar
Sem um rumo certo vai andando
Nunca sabendo o que procurar
-
Ruma ao infinito, o louco
O mundo ri, mas ele não chora
Porque não se contenta com pouco
Sabe que vai chegar sua hora
-
Louco é o louco que procura?
Ou o sonho que nunca perdura?
:iconduvidapoetica:duvidapoetica
:iconduvidapoetica:duvidapoetica 2 3
Literature
Fear of the Machine
Do you feel that which is unreal?
A nauseating smoke fogging the air
That threatens to keep me in seal
I need to be free, it is not fair!
--
It is the fear and the conformity
They haunt me every single second
They changed my notion of liberty
To the point it can't be reckoned
--
So I fall on the same old routine
Spinning this cycle, like a wheel
Yet, I feel this twisted machine
Is going to break itself, for real
--
But it keeps on spinning, like Time
And I try to fight it with each rhyme
Refuse the machine, create a new Me
Without rust, be proud of what I see
:iconduvidapoetica:duvidapoetica
:iconduvidapoetica:duvidapoetica 0 0
Literature
Corvos Nunca Cantam
Posso tentar escutar a noite toda
E ouvir apenas aquele vento gélido
Vento que me tira da cama cómoda
E me faz buscar o cantar destemido
-
Busco o cantar de um corvo cor de breu
Que explica as razões para o sono eterno
Pois são guardiões das urnas e mausoléus
E sabem onde é o que chamam de Inferno
-
Mas, como já disse, apenas oiço o vento
Um ar sem resposta, um bafo frio e vazio
Mas posso estar insuficientemente atento
E assim decido manter-me neste silêncio
-
Espero, espero, espero, espero e espero
Mas nada mais que o vento se faz soar
E aos poucos sinto chegar o desespero
Porque eu tenho de ouvir o corvo cantar
-
Mas sem aviso oiço um som na noite
Um barulho inumano, bestial e pagão
Pior do que quem chora ou quem grite
Um grasnar que penetra meu coração
-
Penetra, e vi o que o corvo havia visto
Senti as suas asas a guiar tantas almas
Vi e senti, mas nada disto havia previsto
Nem tinha eu previsto as minhas lág
:iconduvidapoetica:duvidapoetica
:iconduvidapoetica:duvidapoetica 0 0
Literature
Indagacoes Poeticas I
Neste tempo tão escuro
Nem eu próprio perduro
Abandono todas as crenças
E aceito minhas sentenças
-
Mas viverei eu na escuridão?
Eu não estou numa depressão
Que foi feito de meu coração?
Eu não estou numa depressão
-
Ó Tempo, retalhado à vida
Só sinto esta alma perdida
Passas e eu fico para trás
Rogo pragas e limpo chagas
-
Porque estarei tão iludido?
Eu nunca me sinto deprimido
Onde se encontra o prometido?
Eu nunca me sinto deprimido
-
Eu nego, renego e me recuso
A baixar esta cabeça pesada
Oprimo, esqueço e até abuso
Destas minhas águas passadas
-
Não quero a bênção das Deusas
Nem os beijos suaves das musas
Desejo só o poder de um mortal
Para superar a demanda abismal
-
Que é viver e que é também morrer
Perder este jogo e nunca perceber
Que todos os dados que nós lançamos
São só pedras lisas, que apanhamos
-
Sem ter n
:iconduvidapoetica:duvidapoetica
:iconduvidapoetica:duvidapoetica 0 0
Literature
Omnisciente
Sinto uma presença omnisciente
Sem qualquer tipo de divindade
Será que meu sentido me mente?
Ou são estas trevas de verdade?
-
Arrastam-se por esta noite solitária
Agarram-se ao pensamento demente
Tornam-me diferente, quase um pária
E serei eu o único que isto sente?
-
Uma energia negra perversa
A débil força que tudo nega
Que tudo destrói e dispersa
E está cá, mas nunca chega
-
Está cá, eu tenho a certeza
Mas não se ouve nem se vê
E só as pessoas de destreza
Sabem como fiquei à mercê
-
À mercê de uma força inexistente
No entanto, toda ela omnisciente
Que tudo vê, tudo julga e até sabe
Que a felicidade a mim não me cabe
:iconduvidapoetica:duvidapoetica
:iconduvidapoetica:duvidapoetica 1 0
Literature
Fenix Parasita
Perdão por este grito
Não sei o que se passa
Prometo que não repito
Salvo ocorra desgraça
-
Só estou a ficar farto
Mas não sei em concreto
O que me deixou desperto
O que me deixou inquieto
-
Estou farto, só isto eu sei
Quero mudar, afirmo também
Largar a pele que costurei
Com visões e sonhos do Além
-
Deixar a crisálida esquisita
Olhar no espelho e contemplar
Somente aquela fénix parasita
Que em nada conseguiu mudar
-
É triste, mas é pura verdade
Não sinto que renascer renasça
Apenas altera esta calamidade
Para algo que não se pareça
-
Mas no fundo tudo é igual
E a fénix parasita queima
Tudo ruí, um fim abismal
E eu? Serei só uma vítima?
:iconduvidapoetica:duvidapoetica
:iconduvidapoetica:duvidapoetica 0 0

Favourites

Literature
O ultimo suspiro do deus criador
Contemplem a minha desgraça: após dar vida a estas criaturas feitas à minha imagem e semelhança, sou relegado a figuras de porcelana escondidas nas sombras de templos frios, ou a estátuas de calcário decaindo em pó fino que o vento aos poucos leva.
Mal agradecidos. Se estas velhas mãos ainda possuíssem uma fração da força que tinham quando com elas moldei as montanhas, esmagava-lhes as cidades entre os dedos, como se de apenas curiosas e minúsculas formações de areia se tratassem.
Mas não. Afundo-me agora, lentamente, no barro da Terra. De braços erguidos ao Universo estrelado vos rogo: salvem-me da morte, filhos meus que brilham, que não me desiludem! Em breve não serei mais que a terra disforme que estes meus outros pisam e exploram para a transformar em símbolos que me invocam.
:iconFenrirSleeps:FenrirSleeps
:iconfenrirsleeps:FenrirSleeps 1 0
Dobradura de poema :iconrhbj:RHBJ 5 2
Literature
Haverao dias que serao so dor
Haverão dias que serão dor,
haverão dias que é só amor,
haverão dias normais, casuais
mas seremos sempre nós dois.
Só nós podemos deixar de o ser
e desde que o sejamos de tudo,
mas tudo, seremos capazes
de superar, de enfrentar,
de compreender, mas sobretudo
sejamos capazes de amar.
E é cada vez mais tão raro
esse gesto tão simples como amar.
O amor, como tudo hoje em dia,
vive subjugado a leis incompreensíveis,
procurando ser lucro.
Mas haverá maior lucro do que amar?
Amar não é suficiente para quem ama?
"Eu amo-te mas não me podes dar
tudo aquilo que eu quero ter!"
Haverá algo mais valioso que ser amado?
O que o amor dá, nada pode comprar.
Um olhar apaixonado, um gesto de compreensão,
a palavra naqueles dias que estamos não
e de repente tudo tem um sim estampado.
A felicidade não está no valor das coisas que possuímos,
mas na grandeza dos sentimentos genuínos.
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:icontmkahz:tmkahz 2 6
-Kroenen- :icondeadcamper:DeadCamper 195 34

Groups

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duvidapoetica's Profile Picture
duvidapoetica
Dúvida Poética
Artist | Hobbyist | Literature
Portugal
Tudo o que escrevo é uma dúvida. Uma pergunta a mim mesmo e ao mundo. Não quero nem espero respostas, mas sim o consenso da minha mente.

Nesta conta encontram-se poemas e outros textos que escrevo ou que escrevi em tempos.

Opiniões e comentários são bem-vindos, mas em nada alteram o que escrevo.

Activity


Marte parte pela Morte
Que forte Norte, é sorte?
Pranto santo no recanto
Canto tanto sem encanto
-
Sumo neste fumo e durmo
Consumo o fumo póstumo
Sinto e minto, mas hirto!
Assinto o instinto distinto
-
Mantra-cola, cola mantras
Porque Saber é uma mentira
Ora venham umas ou outras
Nada é verdade, tudo caíra
-
Fedor a amor tão comprometedor
Senhor, que clamor de tanta dor
Pedido tão cândido, mas perdido
Esplêndido, mas incompreendido
-
Pede mas fede, e se despede
Tem sede mas cede e provede
Tem medo tão cedo d'um credo
Degredo, segredo...Bruxedo?
-
Avé!
Mantra-cola
Mantra-cola, cola mantra.
Só eu decifro minha sorte.
Loading...
(Atenção aos fanáticos da gramática! - revisão não realizada)

Nunca enjoarei este cheiro a carvão. Porque aqui mais fácil seria morrer do que enjoar desta brisa constante e negra que paira por todos os recantos. Mais fácil seria ficar cego do que fartar-me de ver estas paredes altas de ferro frio e baço que nos rodeiam e nos protegem. Mais fácil seria ficar surdo do que odiar os sons maquinais que se entranham ritmicamente até na mente mais ausente. Seria tão fácil...

Todos sabemos porque cá viemos parar, mas ninguém sabe porque por cá nos mantemos. Tudo isto começou há tanto tempo... Eu próprio nos meus tenros cinquentas sou dos mais novos daqueles a quem chamam a "4ª geração" e aos poucos nados-vivos que por cá decidem ficar já lhes chamam "6ª geração". São raros os sobreviventes que se chamam de "3ª geração" e que falam de uma guerra por fora destas muralhas de metal, a guerra que criou este berço mecânico a que chamamos lar.

Os anciões contam histórias incrédulas sobre como marchavam fora desta cidade para lutar um outro povo em tudo igual a nós, mas no entanto, tão diferente. Partilhávamos a mesma cor, a mesma carne e sangrávamos o mesmo, mas sonhávamos em cores diferentes e assim... nos isolamos.

Nós, desta cidade livre a que apenas chamamos de "Forte", sonhávamos em conquistar os céus, os mares e a terra. Evoluir o nosso mundo e torná-lo livre dos limites terrenos. E assim impomos a nossa vontade quase divina a todos os povos que nos cruzamos. E assim, criamos um Império.

Mas isto foi muito antes desta cidade e de tantas outras... Fomos um Império e a nossa vontade se fazia sobre os mapas que desenhávamos. Até se formar o Rebelião do Sul.

Várias civilizações e tribos se juntaram contra nós, num impasse que empurrou o nosso sonho para o Norte. A nossa maquinaria era forte e muito mais avançada que a do Rebelião, mas algo desconhecido lhes deu um impulso e os nossos mapas ficavam cada vez menores.

Num acto de loucura ou desespero, quem nos governava decidiu fazer uma última frente à destruição do que era seu. Tudo começou com a ideia de criar fortes militares extremamente bem preparados no território inimigo, mas nós sonhávamos em cores diferentes e assim as nossas cores se revelaram.

Não foram criados 3 fortes perto do território inimigo, mas 3 enormes metrópoles armadas a quais chamaram cidades-forte. O objectivo seria não aguentar os terrenos, mas criar uma fonte de maquinaria, mão de obra e guerreiros que conseguisse manter um ataque constante sobre o Rebelião a partir do seu próprio interior, entre enormes paredes de ferro defendidas com canhões e óleos efervescentes. Um forte autossustentável.

E então numa certa noite, há quase 200 anos, todas as caravanas de metal se armaram e carregaram o que seriam 3 grandes cidades: 'Pedra Branca', 'Carvão Preto' e 'Ferro Castanho'. Todas duraram cerca de um ano a ser construídas, uma tarefa hercúlea erguer algo de tal magnitude em apenas um mero ano...Mas assim dizem os anciões e os seus escritos.

E dizem também os escritos que quando o Rebelião marchava, as nossas cidades disparavam. O que de pouco serviu pois rapidamente ficamos isolados. As vilas que rodeavam as nossas cidades foram dizimadas. O Rebelião marchava sem cessar e nos tornamos em miseráveis ilhas de um Império perdido.

Agora, apenas resta esta onde tentamos viver agora e à qual ainda chamamos de Pedra Branca. A Carvão Preto, a sudoeste durou apenas alguns anos. As lendas contam que os inimigos se aproveitaram de um portão mal guardado para arrasar tudo o que lá existia e os relatos que estão registrados pelos nossos anciões falam que nem ruínas existem nesse local para lembrar dos nossos irmãos.

Por outro lado, Ferro Castanho durou quase tanto tempo quanto nós, mas caiu há dois anos atrás... Pouco soubemos sobre essa tragédia pois os mensageiros eram escassos e mais escassos ainda eram os que sobreviviam para cumprir a sua tarefa.

E agora estamos sozinhos. Nenhum mensageiro que enviamos regressou, nem recebemos sinal algum do nosso antigo Império há quase uma década. Tudo indica que estamos sozinhos. A fazer a última frente do nosso povo face a um inimigo que não aceita a nossa paz. Já tentamos, quantas vezes o fizemos... Mas os mensageiros nunca voltam.

 - Aliás...Houve um mensageiro que regressou. - disse o homem encapuzado à criança que ouvia a sua história com grande interesse.
 - E saberás tudo por um mísero níquel! Não peço muito... - O homem estendeu a mão sobre o ombro da criança e mirava gulosamente a bolsa que esta tinha presa à sua cintura.
- Não posso. Não me pertence. Não é meu, senhor! - retorquiu a criança que começava a soluçar levemente - É tudo o que tenho para comer!

Começou uma pequena comoção naquele beco, o salteador não era má pessoa totalmente. Mas a sua mente estava tão fraca como o seu corpo, e a sobrevivência falava mais alto. Aquela criança regressaria aos seus pais sem alguns níqueis, nada demais! Estava bem vestida, devia viver nas Casas Altas! Sim, senhor! Riquíssima!

Houve-se algo a deslizar velozmente pelo fumo com um chiado fino, mas completamente inaudível entre a maquinaria que por ali se ouvia. Era uma pedra lisa, e embateu com força e precisão na testa do pilantra.

-ARGH! Servente de uma broca! Que infernos o...- o encapuzado olhou a figura que se erguia entre o fumo e a primeira coisa que notou foi uma pistola apontada ao local onde a pedra embateu.

O vilão não deu chance de perceber sequer quem era, correu covardemente na direção da figura ainda oculta, mas sem intenção de atacar, apenas de fugir o mais depressa possível, sem olhar para trás.

-Por favor! - disse o pequeno - É tudo o que tenho! Preciso de viver! - A criança caiu nos seus joelhos e soluçava gravemente num imploro incompreensível.

- Calma - ouviu-se a figura que já não apresentava qualquer arma. - Sou um Mensageiro.


(Fim do prólogo)

 
Cidade-Forte (0) - Prologo (rascunho)
Numa isolada metrópoles onde o fumo e o metal imperam. Apenas uma ideia que provavelmente não terá pernas para andar. Veremos...
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Preciso de ter uma paixão para acordar
Pois este sono cada vez mais me cativa
Preciso de um pouco de luz para mudar
Esta busca circular que não me motiva
-
Fecho os olhos para dormir, é tudo igual
A minha vida virou breu, assim o escolhi
Só que não durmo e estou a passar mal
E a lembrar de tudo aquilo que não senti
-
Não me venham contar histórias de amor
Não é isso que busco, sinto-me indiferente
Procuro razão para o meu ser, o meu valor
Uma coisa que me faça andar para a frente
-
Mas não sinto vontade, nem paixão, nem vida
Nem quero recuperar aquela minha alma perdida
Que sonhou, mas nunca viu as cores latejantes
Dos que por ela passaram, eternos ignorantes...
-
Tenho medo de dormir, não vou voltar a acordar
Mas será que terei mais medo de estar acordado?
A insônia é uma bênção dolorosa de se suportar
Por aquele que nunca sabe se vai a algum lado
São livres os meus olhos tão baços
Que numa total cegueira veem tudo
Para a confiança, não tenho espaço
Para o amor, já não tenho conteúdo
-
Ando por ai às cegas, mas tudo vejo
Minhas costas sangram, rins latejam
Nem sei se caminho por algum desejo
Ou porque estas facadas não fecham
-
Sou eu quem sangro, por este teu tabu
Que quebra a única coisa que imponho
Sou visto como malfeitor, feito o Diabo
Pela liberdade que mereço, eu suponho
-
Sou eu quem sangro, pela tua liberdade
Nunca te prendi, mas também tenho asas
E quando traís a minha escassa felicidade
Lembra-te que nunca me segui por brisas
-
Sigo-me pelos olhos, o coração engana
O cego vê tanto mais que o apaixonado
Lembra-te que qualquer coração engana
Aquele destinado a ser um eterno finado
-
Olhos, quanto vos temo, quanto vos adoro
Trazem-me onde preciso e não onde quero
E sinto-me livre, mesmo neste vazio choro
Se agora já nada existe, eu não desespero
Não há cruz que me dobre
Nem fosso que me apague
Só um desejo, quiçá nobre?
Que o castigo me estrague

Ainda mais? Eu nasci podre...
Nada mais tenho a estragar
Neste ser, pequeno e pobre
Sobre o qual estou a clamar

Mereço para lá de castigo mero
Mesmo sem ter pecado nenhum
Sou penado e tanto me esmero
Para nunca chegar a lado algum

Muito divago mas não minto
Apenas não sei o que sinto
E sei que a sentença é justa
Mas eu não tenho resposta!

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:iconfenrirsleeps:
FenrirSleeps Featured By Owner Mar 5, 2017  Hobbyist General Artist
Muito obrigado por leres e "favoritares" o meu texto! :)
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:iconfenrirsleeps:
FenrirSleeps Featured By Owner Jan 31, 2017  Hobbyist General Artist
Obrigado pelo teu +watch! :)
Reply
:iconduvidapoetica:
duvidapoetica Featured By Owner Feb 2, 2017  Hobbyist Writer
Igualmente
Reply
:iconladylouve:
LadyLouve Featured By Owner Nov 14, 2015  Hobbyist Writer
:D
Reply
:iconanninhaxox:
Anninhaxox Featured By Owner Apr 9, 2015
Muito obrigada :hug: 
Reply
:icontmkahz:
tmkahz Featured By Owner Mar 27, 2015  Student Filmographer
Obrigado pelo :+fav: :)
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:iconduvidapoetica:
duvidapoetica Featured By Owner Mar 29, 2015  Hobbyist Writer
Ora essa, isso nem é coisa que se agradeça. Ou se gosta, ou não se gosta.
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:icontmkahz:
tmkahz Featured By Owner Mar 29, 2015  Student Filmographer
ainda bem :)
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